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Edição 8
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R. C. Sproul
A igreja do
século XXI enfrenta muitas crises. Uma das mais sérias é a crise de
pregação. Filosofias de pregação amplamente diversas competem por
aceitação no clero contemporâneo. Alguns veem o sermão como um discurso
informal; outros, como um estímulo para saúde psicológica; outros, como
um comentário sobre política contemporânea. Mas alguns ainda veem a
exposição da Escritura Sagrada como um ingrediente necessário ao ofício
de pregar.
À luz desses
pontos de vista, sempre é proveitoso ir ao Novo Testamento para procurar
ou determinar o método e a mensagem da pregação apostólica apresentados
no relato bíblico.
Em primeira instância, temos de distinguir entre dois tipos de pregação. A primeira tem sido chamada kerygma; a segunda, didache. Esta distinção se refere à diferença entre proclamação (kerygma) e ensino ou instrução (didache).
Parece que a
estratégia da igreja apostólica era ganhar convertidos por meio da
proclamação do evangelho. Uma vez que as pessoas respondiam ao
evangelho, eram batizadas e recebidas na igreja visível. Elas se
colocavam sob uma exposição regular e sistemática do ensino do
apóstolos, por meio de pregação regular (homilias) e em grupos
específicos de instrução catequética.
Na
evangelização inicial da comunidade gentílica, os apóstolos não entraram
em grandes detalhes sobre a história redentora no Antigo Testamento.
Tal conhecimento era pressuposto entre os ouvintes judeus, mas não era
argumentado entre os gentios. No entanto, mesmo para os ouvintes judeus,
a ênfase central da pregação evangelística estava no anúncio de que o
Messias já viera e inaugurara o reino de Deus.
Se tomássemos
tempo para examinar os sermões dos apóstolos registrados no livro de
Atos dos Apóstolos, veríamos neles uma estrutura comum e familiar. Nesta
análise, podemos discernir a kerygma apostólica, a proclamação básica do evangelho. Nesta kerygma,
o foco da pregação era a pessoa e a obra de Jesus. O próprio evangelho
era chamado o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho é sobre Jesus.
Envolve a proclamação e a declaração do que Cristo realizou em sua vida,
em sua morte e em sua ressurreição. Depois de serem pregados os
detalhes da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus para a direita
do Pai, os apóstolos chamavam as pessoas a se convertem a Cristo - a se
arrependerem de seus pecados e receberem a Cristo, pela fé.
Quando
procuramos inferir destes exemplos como a igreja apostólica realizou a
evangelização, temos de perguntar: o que é apropriado para transferirmos
os princípios da pregação apostólica para a igreja contemporânea?
Algumas igrejas acreditam que é imprescindível o pastor pregar o
evangelho ou comunicar a kerygma em todo sermão que ele pregar.
Essa opinião vê a ênfase da pregação no domingo de manhã como uma
ênfase de evangelização, de proclamação do evangelho. Hoje, muitos
pregadores dizem que estão pregando o evangelho com regularidade, quando
em alguns casos nunca pregaram o evangelho, de modo algum. O que eles
chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de
Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser
apropriados pela pessoa, por meio da fé. Em vez disso, o evangelho de
Cristo é substituído por promessas terapêuticas de uma vida de
propósitos ou de ter realização pessoal por vir a Cristo. Em mensagens
como essas, o foco está em nós, e não em Jesus.
Por outro
lado, examinando o padrão de adoração da igreja primitiva, vemos que a
assembleia semanal dos santos envolvia reunirem-se para adoração,
comunhão, oração, celebração da Ceia do Senhor e dedicação ao ensino dos
apóstolos. Se estivéssemos lá, veríamos que a pregação apostólica
abrangia toda a história redentora e os principais assuntos da revelação
divina, não se restringindo apenas à kerygma evangelística.
Portanto, a kerygma
é a proclamação essencial da vida, morte, ressurreição, ascensão e
governo de Jesus Cristo, bem como uma chamada à conversão e ao
arrependimento. É esta kerygma que o Novo Testamento indica ser
o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). Não pode haver nenhum
substituto aceitável para ela. Quando a igreja perde sua kerygma, ela perde sua identidade.

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