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sexta-feira, 30 de março de 2012

FELICIDADE

O Homem Feliz


Cantor Cristão

Feliz é o homem que não vai

Conforme os ímpios vão,

Nem com os pecadores tem

Alguma comunhão. (bis)



Porém na lei, na santa lei

De Deus se alegra bem;

E posto sempre o coração

Na lei divina tem. (bis)



Tal homem florescendo vai

Qual plantação que está

Ao pé de um rio, e fruto bom

Em tempo próprio dá. (bis)



Jamais a sua folha cai,

Nem murcha vem a ser,

E bem maduro se fará

O fruto que ele der. (bis)



Os ímpios não serão assim;

Jamais felizes são;

Porém parecem com o pó

Que os ventos levarão. (bis)



No juízo não subsistirão,

No dia do Senhor;

Dos justos longe ficarão,

Curtindo eterna dor. (bis)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ENFRENTANDO O LEÃO

Enfrentando o Leão

Um terrível brado penetra o acampamento. Os nativos aterrorizados gritam: ‘Tomem cuidado, irmãos, o diabo está chegando!’. Porém, o clamor do aviso não ajudará em nada e, mais cedo ou mais tarde, gritos agudos e agonizantes quebrarão o silêncio, e outro homem não responderá à lista de chamada na manhã seguinte.[1]
Era março de 1898 e o estudante de engenharia John Henry Patterson, de 31 anos, estava no Quênia para construir uma ponte ferroviária sobre o rio Tsavo. Logo após a sua chegada, dois cruéis leões devoradores de homens começaram a aterrorizá-lo e a seus trabalhadores. Patterson escreveu em seu diário: “Nada os perturba ou assusta, e eles mostram um completo desprezo por seres humanos, exceto como alimento”.[2]
Essas feras eram tão perspicazes que os trabalhadores nativos começaram a acreditar que realmente eram o Diabo no corpo de leões. Até serem mortos, tinham devorado cerca de 140 trabalhadores.
As Escrituras alertam que Satanás, como um leão, também é um predador que ataca incansavelmente suas vítimas. O apóstolo Pedro, que aprendeu por experiência própria o que é ser usado pelo Diabo, avisou: “Sede sóbrios e vigilantes. O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1 Pe 5.8, cf. Mt 16.23).
Vencer Satanás requer vigilância diária, a cada momento. Uma vida de fé em Jesus Cristo é uma vida de implacável conflito espiritual. Se você falhar em equipar-se para ele, colherá as conseqüências. O alvo de Satanás é devastar a humanidade; mas, ainda mais, aniquilar a vida dos cristãos.
Portanto, os cristãos precisam aprender e usar três princípios essenciais para posicionar-se contra o Maligno: todo cristão precisa (1) manter uma posição firme no conflito, (2) empregar a proteção apropriada para o conflito, e (3) sempre manter uma perspectiva correta do conflito.

Uma Posição Firme

Os leões de Tsavo eram os reis de sua própria terra. Eles enfrentavam qualquer um. As Escrituras chamam Satanás de “o príncipe deste mundo” e “o deus deste século” (Jo 12.31; 2 Co 4.4). Porém, o seu reino está sujeito à vontade de Deus (Jó 1.12). Com isso em mente, a primeira lição na luta é aprender tudo o que você pode sobre seu inimigo: “Nem deis lugar ao Diabo...”; “...para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios” (Ef 4.27, 2 Co 2.11).
Infelizmente, muitos cristãos são ignorantes, principalmente na doutrina bíblica. Como os leões, Satanás e seus demônios rondam procurando oportunidades de espalhar idéias falsas. A maior defesa é estudar, conhecer e praticar a Palavra de Deus diariamente. Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31-32). Satanás é um mentiroso (Jo 8.44). O segredo é avaliar todas as coisas pela Palavra de Deus.
Foi uma visão terrível encontrar restos repulsivos dos trabalhadores que haviam sido atacados pelos leões de Tsavo. Patterson prometeu eliminar os leões do local e terminar a sua ponte. Os cristãos precisam ter a mesma resolução e permanecer firmes contra Satanás. Primeiro, ter certeza em seu coração de que o Senhor Jesus verdadeiramente é o seu Salvador pessoal (Jo 3.16). Confesse todos os pecados conhecidos (1 Jo 1.9). Deseje, com a ajuda de Deus, abandonar a prática habitual de todo pecado (Pv 28.13). E, finalmente, renda sua vida e tudo o que você tem a Deus: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

A Proteção Adequada

“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas...” (2 Co 10.3-4).
John Patterson caçou os leões usando um rifle inglês de calibre .303 bolt-action e uma espingarda de caça calibre 12. Ele os avistou diversas vezes, e até os surpreendeu em uma ocasião. Mesmo assim, eles escaparam. Em desespero, ele sabia que precisava usar todo o seu treinamento e sua habilidade com armas para ser capaz de matá-los.
Nós, também, precisamos usar armas específicas contra Satanás. Apesar de diferentes, elas requerem prática e habilidade para serem usadas competentemente:
“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas...” (2 Co 10.3-4).
Nossa armadura de guerra encontra-se em Efésios 6.11-18. A imagem usada é a de um valente soldado romano. Para prevalecer contra o Maligno, os cristãos precisam, necessariamente, vestir “toda a armadura de Deus” (Ef 6.11):

Cinto

A primeira linha de defesa é a “verdade” (Ef 6.14). O termo significa ter a mente livre de fingimento e falsidade. Satanás depende de mentiras e engano. “Cingir-nos com a verdade” é a proteção forte contra a hipocrisia.

Couraça

Um soldado romano vestia uma couraça para proteger seu coração e seus órgãos vitais. Um cristão precisa vestir a “couraça da justiça” (Ef 6.14b). Satanás é um acusador, que aponta constantemente a falta de merecimento dos seguidores de Cristo (Ap 12.10). Essa tática pode ser extremamente desencorajadora.
Porém, Cristo tratou das acusações contra nós concedendo-nos Sua justiça: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Assim, não há necessidade de desespero: “Pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1 Jo 3.20).
Permitindo que Deus nos torne “conformes à imagem de Seu Filho” (Rm 8.29), Sua santidade é revelada em nossa vida na forma de uma defesa forte e diária; e podemos nos revestir “do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24).

Calçado

Sandálias robustas e com cravos nas solas davam uma base confiável ao guerreiro. Em superfícies lisas, porém, elas eram perigosas por falta de boa tração. Os seguidores de Cristo obtêm a segurança de um fundamento confiável através do Evangelho da paz: Jesus Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado, ressurgiu ao terceiro dia, e foi visto por muitos (1 Co 15.3-6). O inimigo quer muito fazer você deslizar, com programas e doutrinas falsas. Os crentes precisam tomar cuidado para não escorregarem em suas emboscadas. A Boa Nova de Cristo é a única base sólida para firmar-se.

Escudo

Um soldado da infantaria romana nunca ia à batalha sem seu escudo. Geralmente ele era grande e retangular, com uma leve curvatura nos lados para a proteção corporal.
As Escrituras nos contam que Satanás atira constantemente “dardos inflamados” na forma de muitas tentações. O propósito principal de embraçar “sempre o escudo da fé” é apagar os seus dardos (Ef 6.16). Um escudo romano também servia para encaixar-se com outros escudos, para criar uma eficiente “formação tartaruga” na batalha. A junção de escudos da fé com outros crentes cria uma defesa formidável contra os assaltos espirituais (Sl 37.40).

Capacete

O capacete também era bem projetado. Ele tinha uma aba traseira para proteger a nuca de qualquer golpe. As abas de cada lado protegiam a face, e a da frente protegia contra pancadas direcionadas à cabeça ou à face. Obviamente, esse equipamento era vital.
O “capacete da salvação” aponta para nossa “esperança de salvação” (1 Ts 5.8). A palavra esperança significa “expectativa alegre e segura da libertação eterna”. O Maligno procura golpear nossas cabeças para plantar nelas sementes de dúvida e desespero. Entretanto, o capacete dos crentes verdadeiros está firmemente posicionado. Primeiro, a fé na obra consumada na cruz garante a salvação da pena do pecado (2 Tm 1.9). Segundo, andando pela fé no Senhor, temos salvação do poder do pecado (Fp 2.12-13). E, finalmente, podemos aguardar nossa futura salvação da presença do pecado : “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.13).

Espada

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12).
Na cintura de cada soldado romano estava pendurada sua arma principal: o gladius. Esta era uma espada relativamente curta, afiada nos dois gumes. Em mãos de guerreiros treinados, ela era mortal. A espada dos crentes é a Bíblia. De fato, foi apenas a Palavra que Jesus usou com eficiência contra o ataque de Satanás no deserto (Mt 4.1-11).
Quando estudada e aplicada, a Palavra de Deus é a defesa máxima contra os artifícios do Maligno. Falar a Palavra com autoridade é a melhor ofensiva para arrasar a fortaleza de Satanás (Is 49.2).

Ataques Sorrateiros

Satanás procura nos intimidar com o seu rosnar feroz. Precisamos ter a perspectiva de Cristo no conflito.
Os leões de Tsavo espreitavam e aproximavam-se silenciosamente de suas vítimas. O terrível rugido vinha depois que suas vítimas estavam acuadas ou mortas. Satanás também é persistente e silencioso. Ele não alerta os filhos de Deus a respeito da sua presença. Porém, quando consegue enganar sua vítima, através do pecado, ele ruge com satisfação. Portanto, um cristão que se protege adequadamente deve estar alerta em todo o tempo “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18).

A Perspectiva Correta

Os leões de Tsavo eram aterrorizantes. Do nariz à cauda eles mediam cerca de três metros. Patterson escreveu que eles tentavam assustá-lo com um olhar irritado em sua direção, mostrando seus dentes e rangendo-os furiosamente.
Satanás também procura nos intimidar com o seu rosnar feroz. Precisamos ter a perspectiva de Cristo no conflito. Satanás não é igual a Deus. Como é um ser criado, ele tem limitações (Ez 28.12-19). Ele é poderoso, mas não é todo-poderoso (Ap 12.8; 20.2). Ele não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo (não é onipresente). Em vez disso, ele governa sobre demônios subordinados que andam pelo mundo, obedecendo às suas ordens (Mt 12.24; Ef 6.12). Ele também não tem a onisciência de Deus (1 Cr 28.9). Ele não sabe de todas as coisas.
Conseqüentemente, embora o Diabo seja um antagonista furioso, ele não deve nos aterrorizar. Ele não é páreo para Cristo, que já providenciou nossa vitória através do poder do Seu sangue derramado (Ap 12.11). Somente em Cristo há libertação do poder de Satanás (At 26.18; Cl 1.13). Cristo, que vive naqueles que verdadeiramente nasceram de novo, é maior que Satanás (1 Jo 4.4).
John Henry Patterson finalmente acabou com seus leões. Eles estão em exibição no Field Museum em Chicago, Illinois (EUA). Ainda agora, ao olhar para eles, seus olhos escuros e inertes evocam terror. Contudo, eles estão mortos e não podem ferir ninguém. Um dia o Diabo será lançado na escuridão eterna do Lago de Fogo, para nunca mais atormentar os fiéis (Ap 20.10).
Até aquele dia, não importa quantas dificuldades e provações passemos na vida, podemos estar seguros de que temos a armadura necessária para enfrentar o “leão” e para sermos mais que vencedores. Além do mais, nada pode nos separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 8.37-39). (Peter Colón - Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pregação Expositiva

[9 marcas] I – Pregação Expositiva (Descrição)
[9 marcas] I – Pregação Expositiva (Descrição)

Veja a listagem das marcas na Introdução
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O ponto para começar a falar sobre as marcas da igreja saudável é onde Deus começa conosco – o modo como Ele fala conosco. Foi por aí que a nossa própria saúde espiritual veio, e é por esse caminho que a saúde de nossas igrejas virá também. Especialmente importante para qualquer um que esteja na liderança de uma igreja, mas particularmente para o pastor, é um compromisso com a pregação expositiva, um dos mais antigos métodos de pregação. Trata-se da pregação cujo objetivo é expor o que é dito em uma passagem particular da Bíblia, explicando cuidadosamente seu significado e aplicando-o à congregação (veja Neemias 8:8). Existem, evidentemente, muitos outros tipos de pregação. Sermões tópicos, por exemplo, coletam tudo o que a Bíblia ensina sobre um único assunto, como a oração ou a contribuição. A pregação biográfica aborda a vida de alguém na Bíblia e retrata-a como uma demonstração da graça de Deus e como um exemplo de esperança e fidelidade. Mas a pregação expositiva é algo diferente – uma explicação e aplicação de uma porção particular da Palavra de Deus.
“(…) os pregadores cristãos de hoje têm autoridade para falar da parte de Deus somente se proclamarem as palavras dEle.”
A pregação expositiva presume uma convicção na autoridade da Bíblia, mas é algo mais. Um compromisso com a pregação expositiva é um compromisso de ouvir a Palavra de Deus. Assim como os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento não receberam apenas uma ordem para ir e falar, mas uma mensagem específica, os pregadores cristãos de hoje têm autoridade para falar da parte de Deus somente se proclamarem as palavras dEle. Assim, a autoridade do pregador expositivo começa e termina com as Escrituras. Às vezes as pessoas podem confundir pregação expositiva com o estilo de um pregador expositivo predileto, mas não é fundamentalmente uma questão de estilo. Como outros já observaram a pregação expositiva não é tanto sobre como nós dizemos o que dizemos, mas sobre como nós decidimos o que dizer. Não é marcada por uma forma particular, mas por um conteúdo bíblico.
Pode-se aceitar alegremente a autoridade da Palavra de Deus e até mesmo professar a convicção na inerrância da Bíblia; ainda assim se na prática (propositalmente ou não) alguém não prega expositivamente, nunca pregará além do que já sabe. Um pregador pode tomar um trecho das Escrituras e exortar a congregação em um tópico que é importante sem que ele realmente pregue o ponto abordado na passagem. Quando isso acontece, o pregador e a congregação só ouvem nas Escrituras o que eles já sabiam.
“Como outros já observaram a pregação expositiva não é tanto sobre como nós dizemos o que dizemos, mas sobre como nós decidimos o que dizer.”
Em contrapartida, quando pregamos uma passagem das Escrituras no contexto, expositivamente – tomando o ponto da passagem como o ponto da mensagem – nós ouvimos de Deus coisas que nós não pretendíamos ouvir quando começamos. Desde a chamada inicial ao arrependimento até a área de nossas vidas em que o Espírito nos condenou recentemente, a nossa salvação inteira consiste em ouvir a Deus de modos que nós, antes de ouvi-lO, nunca teríamos adivinhado. Esta submissão extremamente prática à Palavra de Deus deve ser evidente no ministério de um pregador. Não se deixe enganar: em última instância, é responsabilidade da congregação assegurar que as coisas sejam assim (observe a responsabilidade que Jesus põe sobre a congregação em Mateus 18, ou Paulo em 2 Timóteo 4). Uma igreja jamais pode colocar como supervisor espiritual do rebanho uma pessoa que não demonstra na prática um compromisso claro em ouvir e ensinar a Palavra de Deus. Agir assim é impedir inevitavelmente o crescimento da igreja, praticamente encorajando-a a só crescer até o nível do pastor. Se assim for, a igreja será conformada lentamente à mente dele, em vez de ser conformada à mente de Deus.
O povo de Deus sempre foi criado pela Palavra de Deus. Da criação em Gênesis 1 até a chamada de Abraão em Gênesis 12, da visão do vale dos ossos secos em Ezequiel 37 até a vinda da Palavra Viva, Deus sempre criou o Seu povo através da Sua Palavra. Como Paulo escreveu aos romanos, “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (10:17). Ou, como ele escreveu aos coríntios, “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1 Cor. 1:21).
“Uma igreja construída sobre a música – seja qual for o estilo – é uma igreja construída sobre a areia.”
A pregação expositiva sadia freqüentemente é o manancial de crescimento em uma igreja. Na experiência de Martinho Lutero, tal atenção cuidadosa para com a Palavra de Deus foi o princípio da reforma. Nós também precisamos estar comprometidos em sermos igrejas que sempre estão sendo reformadas de acordo com a Palavra de Deus.
Certa vez, quando eu estava ensinando em um seminário sobre puritanismo em uma igreja de Londres, eu mencionei que os sermões puritanos às vezes duravam duas horas. Diante disso, uma pessoa perguntou, “Quanto tempo sobrava para a adoração?” A suposição era de que ouvir a palavra de Deus pregada não constituía adoração. Eu respondi que muitos cristãos protestantes ingleses teriam considerado a possibilidade de ouvir a palavra de Deus no seu próprio idioma e de responder a ela nas suas vidas como a parte essencial da sua adoração. Se eles teriam tempo para cantar juntos seria comparativamente de pouca importância.
Nossas igrejas têm que recuperar a centralidade da Palavra na nossa adoração. Ouvir a Palavra de Deus e responder a ela pode incluir louvor e ações de graças, confissão e proclamação, e qualquer destas coisas pode vir na forma de canções, mas nenhuma delas precisa ter essa forma. Uma igreja construída sobre a música – seja qual for o estilo – é uma igreja construída sobre a areia. Pregar é o componente fundamental do pastorado. Ore por seu pastor, para que ele se dedique a estudar Bíblia rigorosa, cuidadosa e seriamente, e para que Deus o conduza na compreensão da Palavra, na aplicação dela à sua própria vida, e na aplicação dela à igreja (veja Lucas 24:27; Atos 6:4; Ef. 6:19-20). Se você é um pastor, ore por estas coisas para si mesmo. Ore também por outros que pregam e ensinam a Palavra de Deus. Finalmente, ore para que nossas igrejas assumam um compromisso de ouvir a Palavra de Deus pregada expositivamente, de forma que os rumos de cada igreja sejam crescentemente moldados pela agenda de Deus expressa nas Escrituras. O compromisso com a pregação expositiva é uma marca de uma igreja saudável.
Por Mark Dever. Copyright © 2012 9Marks. Website: 9marks.org
Tradução: bomcaminho.com

5 Comentários para “[9 marcas] I – Pregação Expositiva (Descrição)”

"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."
Agostinho de Hipona

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PREGANDO A CRISTO


 Edição 8  Janeiro 2012 
Pregando a Cristo (versão online)
R. C. Sproul

A igreja do século XXI enfrenta muitas crises. Uma das mais sérias é a crise de pregação. Filosofias de pregação amplamente diversas competem por aceitação no clero contemporâneo. Alguns veem o sermão como um discurso informal; outros, como um estímulo para saúde psicológica; outros, como um comentário sobre política contemporânea. Mas alguns ainda veem a exposição da Escritura Sagrada como um ingrediente necessário ao ofício de pregar.

À luz desses pontos de vista, sempre é proveitoso ir ao Novo Testamento para procurar ou determinar o método e a mensagem da pregação apostólica apresentados no relato bíblico.

Em primeira instância, temos de distinguir entre dois tipos de pregação. A primeira tem sido chamada kerygma; a segunda, didache. Esta distinção se refere à diferença entre proclamação (kerygma) e ensino ou instrução (didache).

Parece que a estratégia da igreja apostólica era ganhar convertidos por meio da proclamação do evangelho. Uma vez que as pessoas respondiam ao evangelho, eram batizadas e recebidas na igreja visível. Elas se colocavam sob uma exposição regular e sistemática do ensino do apóstolos, por meio de pregação regular (homilias) e em grupos específicos de instrução catequética.

Na evangelização inicial da comunidade gentílica, os apóstolos não entraram em grandes detalhes sobre a história redentora no Antigo Testamento. Tal conhecimento era pressuposto entre os ouvintes judeus, mas não era argumentado entre os gentios. No entanto, mesmo para os ouvintes judeus, a ênfase central da pregação evangelística estava no anúncio de que o Messias já viera e inaugurara o reino de Deus.

Se tomássemos tempo para examinar os sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos dos Apóstolos, veríamos neles uma estrutura comum e familiar. Nesta análise, podemos discernir a kerygma apostólica, a proclamação básica do evangelho. Nesta kerygma, o foco da pregação era a pessoa e a obra de Jesus. O próprio evangelho era chamado o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho é sobre Jesus. Envolve a proclamação e a declaração do que Cristo realizou em sua vida, em sua morte e em sua ressurreição. Depois de serem pregados os detalhes da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus para a direita do Pai, os apóstolos chamavam as pessoas a se convertem a Cristo - a se arrependerem de seus pecados e receberem a Cristo, pela fé.

Quando procuramos inferir destes exemplos como a igreja apostólica realizou a evangelização, temos de perguntar: o que é apropriado para transferirmos os princípios da pregação apostólica para a igreja contemporânea? Algumas igrejas acreditam que é imprescindível o pastor pregar o evangelho ou comunicar a kerygma em todo sermão que ele pregar. Essa opinião vê a ênfase da pregação no domingo de manhã como uma ênfase de evangelização, de proclamação do evangelho. Hoje, muitos pregadores dizem que estão pregando o evangelho com regularidade, quando em alguns casos nunca pregaram o evangelho, de modo algum. O que eles chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser apropriados pela pessoa, por meio da fé. Em vez disso, o evangelho de Cristo é substituído por promessas terapêuticas de uma vida de propósitos ou de ter realização pessoal por vir a Cristo. Em mensagens como essas, o foco está em nós, e não em Jesus.

Por outro lado, examinando o padrão de adoração da igreja primitiva, vemos que a assembleia semanal dos santos envolvia reunirem-se para adoração, comunhão, oração, celebração da Ceia do Senhor e dedicação ao ensino dos apóstolos. Se estivéssemos lá, veríamos que a pregação apostólica abrangia toda a história redentora e os principais assuntos da revelação divina, não se restringindo apenas à kerygma evangelística.

Portanto, a kerygma é a proclamação essencial da vida, morte, ressurreição, ascensão e governo de Jesus Cristo, bem como uma chamada à conversão e ao arrependimento. É esta kerygma que o Novo Testamento indica ser o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). Não pode haver nenhum substituto aceitável para ela. Quando a igreja perde sua kerygma, ela perde sua identidade.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

NÃO TEMAS

Não temas porque eu sou contigo, não te assombres
Sou teu Deus, te fortaleço.
Não temas, te ajudo e te esforço com a destra
Da minha justiça.

Não temas...
eis que envergonhados, confundidos
Serão os que se indignarem contra ti.
Não temas... tornar-se-ão em nada
Os que contenderem contigo, perecerão

Porque eu, o Senhor teu Deus
Te tomo pela tua mão direita
Eu sou, e te digo não temas,
Não temas, não temas
Não temas que eu te ajudo

Não temas... sou eu quem vai contigo, não temas.
Não temas, prossiga em teu caminho, não temas
Não temas... nos lugares altos porei rios
E fontes no meio dos vales
Não temas... pois de deserto eu faço mares e de lugares secos mananciais..


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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CIENTISTAS CONTINUM A CRER EM UM EUS CRIADOR

Os cientistas têm sido acusados de brincar de Deus ao fazerem clones de ovelhas e de negar a Deus quando insistem em que a evolução seja ensinada nas escolas. Um estudo indica, entretanto, que muitos cientistas acreditam em Deus conforme o conceito mais comum e usual.
Repetindo com exatidão uma famosa pesquisa realizada em 1916, Edward Larson, da Universidade da Geórgia, constatou que a profundidade da fé religiosa entre os cientistas não diminuiu apesar dos avanços científicos e tecnológicos deste século.
Tanto em 1916 como agora, em torno de 40% dos biólogos, físicos e matemáticos que participaram da pesquisa disseram que acreditavam em um Deus que, segundo a estrita definição do questionário, se comunica com a humanidade e a quem se pode orar "na expectativa de receber uma resposta".
Cerca de 15% em ambas as pesquisas alegaram ser agnósticos ou de não ter "uma convicção definida" sobre a questão.
Em torno de 42% em 1916 e aproximadamente 45% agora disseram que não criam em um Deus como o especificado no questionário, apesar de que não se verificou se eles criam em alguma outra definição de divindade ou ser superior.
Mais revelador do que os próprios números, segundo disseram os especialistas, é a sua estabilidade. O fato das convicções pessoais dos cientistas terem permanecido inalteradas durante quase um século caracterizado por mudanças sugere que a religiosidade ortodoxa não está desaparecendo em maior grau entre os que são considerados a elite intelectual e a população em geral. Os resultados também indicam que, enquanto a religião e a ciência são freqüentemente apontadas como irreconciliavelmente antagônicas, cada uma disputando para si o trono da verdade, muitos cientistas não vêem contradição entre a busca para entender as leis da natureza e a fé em uma divindidade superior. (The State, 4/4/97)
A Bíblia deixa claro que qualquer um pode compreender que Deus fez os céus e a terra. Romanos 1.19-20 afirma: "porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis". Do ponto de vista de Deus, portanto, a criação é evidente para todas as pessoas, mas cada uma tem que decidir em que crer: na verdade ou na mentira. Quando escolhemos a verdade, cremos porque somos convencidos por ela: "Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem" (Hb 11.3). (Arno Froese - http://www.chamada.com.br)

domingo, 15 de janeiro de 2012

O DIA DE JESUS CRISTO

"Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos" (2 Ts 2.1).
Em uma revista cristã alemã encontrei um texto excelente sobre "O Dia de Jesus Cristo", ou seja, sobre o arrebatamento (1 Ts 4.13-18), e o reproduzo como introdução a esta mensagem:
Arrebatados!
De repente, num breve e intenso momento, no instante mais feliz e esperado durante séculos pela Igreja de Jesus, o próprio Senhor que estará voltando chamará os Seus: Ele vai chamá-los dos vales silenciosos, das colinas banhadas de sol, dos cemitérios das aldeias, das profundezas dos mares, dos cenários de guerra, das selvas da Índia, das terras pantanosas da África, das ilhas dos mares longínquos. De qualquer lugar solitário onde Seus filhos tiverem morrido sofrendo a Seu serviço, eles ressuscitarão glorificados para ir ao encontro do seu Senhor. Os crentes que ainda estiverem vivos serão arrebatados ao encontro do Senhor nos ares. Que visão para olhos que choram! Que esperança para corações que aguardam! Que estímulo para realizar tarefas que já deveriam ter sido feitas há muito tempo!
Arrebatados! Quem consegue imaginar isso? Enquanto muitas pessoas estiverem ocupadas com seus afazeres, os cristãos irão ao encontro do seu Senhor. Talvez, enquanto estiverem ajoelhados em seu quarto, orando, eles serão arrebatados. Talvez serão arrebatados quando estiverem meditando em seus corações justamente sobre a Palavra de Deus que fala sobre a volta de Jesus! Enfermos, sofrendo pacientemente no leito da enfermidade, serão arrebatados e irão ao encontro do seu Senhor!
Devemos permanecer vigilantes, pois não sabemos a hora em que o Filho do Homem virá! Não sabemos a hora em que o Senhor chegará; mas também não sabemos de nenhuma hora em que Ele não possa vir! Isso ainda poderá demorar anos; ou poderá acontecer amanhã – e também pode acontecer ainda hoje.
Nas mensagens sobre o arrebatamento procuro mostrar que devemos fazer diferença entre o "Dia de Jesus Cristo" e o "Dia do Senhor". O "Dia de Jesus Cristo" é o dia da vinda do Senhor como Noivo para a Sua Igreja, Sua Noiva. Esse dia começará com o arrebatamento, que será seguido pelo julgamento diante do tribunal de Cristo e pelas bodas do Cordeiro. O "Dia do Senhor", ao contrário, será um tempo de juízos para o mundo ímpio e para Israel, por ter rejeitado o Filho de Deus (2 Ts 2.9-12). O "Dia do Senhor" começará depois do arrebatamento, desembocará na Grande Tribulação, terminando com o estabelecimento do reino de Cristo sobre a terra e com a restauração do povo judeu.
A seguir apresentamos uma breve distinção entre o "Dia de Jesus Cristo" para o arrebatamento e o "Dia do Senhor" para o estabelecimento do Seu reino:
1. O terrível juízo sobre os descrentes
Após o arrebatamento, a eficácia de Satanás, com todo poder, sinais e prodígios da mentira, atingirá o mundo incrédulo com todo o seu ímpeto. Então os homens colherão o que semearam. Todo o engano da injustiça se abaterá sobre os que não quiseram arrepender-se (Ap 9.20-21; 16.9-11), e eles não terão mais a chance de voltar atrás. Eles estarão perdidos e continuarão perdidos: "Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.9-10). Eles serão de tal modo dominados por uma poderosa força do engano, que toda a sua "segurança" consistirá da mais pura insegurança. E o pior será que eles nem o perceberão, porque estarão totalmente cegos e entregues à própria sorte: "É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira" (v.11). Eles serão julgados, e sua condenação consistirá em serem dominados pelo diabo na pessoa do anticristo. Por terem se deleitado com a injustiça e a mentira, eles serão entregues a essa mesma mentira e crerão nela: "a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (v.12).
2. A segurança eterna dos crentes
A seguir, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, dirige-se aos crentes em 2 Tessalonicenses 2. Ele fala de uma maneira totalmente diferente e com outra entonação, fazendo com que os cristãos se sintam aliviados: "Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade" (v.13). Aqui temos certeza em lugar de incerteza, garantia ao invés de dúvida, consolo em lugar de desesperança. Paulo diz
– que ele pode dar graças pelos crentes;
– que eles são amados pelo Senhor;
– que eles são escolhidos por Deus, salvos e santificados pelo Espírito Santo;
– que eles creram na verdade em Jesus Cristo, e por isso não terão que passar pelo tempo da Tribulação como aqueles (vv. 9-12) que não aceitaram a verdade para serem salvos e que não creram na verdade.
Como Paulo podia ter tanta certeza e escrever de maneira tão positiva à igreja em Tessalônica? Porque ele sabia que Jesus tornou-se tudo para aqueles que crêem nEle. Paulo conhecia muito bem a verdade da Primeira Epístola aos Coríntios: "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (1 Co 1.30). E ele também sabia da verdade expressa em Hebreus 10: "então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10.9-10,14).
À Igreja aguarda a inimaginável glória de Jesus Cristo, o cumprimento da oração de Jesus: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24). Isso será realizado no dia do arrebatamento, quando Jesus voltar conforme Sua promessa: "...voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também" (Jo 14.3).
Continuamos lendo em 2 Tessalonicenses 2.15-17: "Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa. Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça, consolem o vosso coração e vos confirmem em toda boa obra e boa palavra." Aqui aparecem novamente as palavras que sempre são usadas em conexão com o arrebatamento: firmeza, consolação e esperança (veja Jo 14.1; 1 Ts 4.13-18; 1 Co 15.58; 2 Ts 2.2). E tudo isso porque a Igreja creu nAquele que é o Único que pode salvar. O Senhor Jesus expressa da seguinte maneira o Seu consolo para aqueles que crêem nEle: "Porque o próprio Pai vos ama, visto que me tendes amado e tendes crido que eu vim da parte de Deus" (Jo 16.27).
3. Jesus Cristo conduz Sua Igreja para o alvo
Paulo escreve em Filipenses 1.6-7: "Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós..." (veja também Fp 3.20-21). Certamente o apóstolo Paulo também sabia das fraquezas dos filipenses. Mesmo assim, ele estava plenamente convicto de que o Senhor haveria de completar a obra começada também em suas vidas, e não excluiu ninguém dessa expectativa. Ele sabia que no dia do arrebatamento Deus não deixaria para trás nenhum de Seus filhos, mas alcançaria o alvo com todos eles. Certa vez o reformador Martim Lutero disse:
Por minha maldade e fraqueza inatas, tem sido impossível para mim satisfazer as exigências de Deus.
Se não pudesse crer que Deus me perdoa, por amor a Jesus, se não conseguisse acreditar que Ele apaga todas as minhas falhas e toda a minha incapacidade de alcançar Seu padrão, o que me faz chorar e lamentar todos os dias, tudo estaria acabado para mim!
Eu teria que desesperar, mas não o faço. Não me dependuro numa árvore, como Judas. Eu me enlaço nos pés de Cristo, como fez a pecadora. Embora eu seja pior do que ela, agarro-me ao meu Senhor.
Então Jesus dirá ao Pai: "Este pobre desesperado também terá que passar. Ele não cumpriu os Teus mandamentos, mas se agarra a mim, Pai! Eu morri também por ele. Deixe-o entrar!"
Esta é a minha fé!
Da nossa parte, não temos nenhuma capacidade natural que nos deixe perfeitamente preparados para o dia da volta de Jesus. Mas o apóstolo Paulo expressa com as seguintes palavras o que podemos e devemos fazer:
"...de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Co 1.7-8).
"...olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus" (Hb 12.2; veja também 1 Ts 3.12-13).
Esse "olhar para o alto" é extremamente importante para um cristão. Pois, o pior que alguém pode fazer quando a água lhe chega ao pescoço é desanimar. Como exemplo vou contar um acontecimento verdadeiro com uma aplicação espiritual:
Olhar para cima
Certa vez um jovem marinheiro teve que subir ao mastro durante uma tempestade. As ondas levantavam o barco para alturas estonteantes e logo em seguida jogavam-no para profundezas abismais. O jovem marujo começou a sentir vertigens e estava quase caindo. O capitão gritou para ele: "Moço, olhe para cima!" De maneira decidida, o marinheiro desviou seu olhar das ondas ameaçadoras e olhou para cima. E esse olhar para o céu o salvou. Ele conseguiu subir com segurança e executar a sua tarefa.
Quando os dias de tribulação revolvem a nossa vida, quando as tempestades da vida nos confundem e os horrores do abismo se abrem diante de nós, nosso coração começa a tremer, e a alma sofre vertigens de medo e horror. Perdemos o equilíbrio e somos ameaçados de despencar. Entretanto, se desviarmos nosso olhar dos perigos e olharmos para o Ajudador, se buscarmos a face do Senhor em oração e agarrarmos a Sua poderosa mão, nosso coração se aquietará, receberemos força e paz para podermos executar as nossas tarefas em meio às tempestades e finalmente seremos vitoriosos.
4. A transformação na Sua imagem
Filipenses 3.20-21 fala dessa transformação: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas" (veja também Cl 3.3-4). A Bíblia dá aos filhos de Deus a garantia de que eles têm direito de cidadania no céu desde agora, enquanto ainda vivem sobre a terra. O céu não é um país estrangeiro, ele é nosso lar, nossa pátria. Ali os cristãos verdadeiros têm direito de habitar, ali estão inscritos os seus nomes (Lc 10.20). Todo filho de Deus é selado com o Espírito Santo e assim tem passagem livre e acesso à cidade edificada por Deus.
A Igreja de Jesus busca esse lar e anseia por essa morada celestial, esperando que seu Senhor volte de lá. A palavra grega "apekdechometha", que se encontra em Filipenses 3.20 e é traduzida por "aguardamos", no texto original expressa um forte anseio e uma intensa expectativa. Trata-se de um ardente anseio por um acontecimento que se crê ser iminente. O significado é "espichar o pescoço aguardando temerosamente para não perder o que se espera". Será que não nos tornamos muito negligentes em relação à nossa espera pela volta de Jesus?
Quando o Senhor Jesus voltar, Deus transformará nosso corpo humilde, fraco e débil, não em um corpo angelical, não em qualquer corpo de glória, mas "...para sermos conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8.29). Se isso não estivesse escrito exatamente assim, não ousaríamos dizê-lo, nem teríamos coragem de pensar a respeito. Mas também em 1 João 3.2 é apresentada essa grandiosa verdade: "Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é" (veja também 2 Ts 2.14; 1 Co 15.43; 1 Ts 4.17).
5. Uma última exortação
É notável que Paulo diz primeiro em completa confiança: "Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Fp 1.6), mas depois continua como se temesse alguma coisa: "...preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente" (Fp 2.16). Será que, em relação à eternidade, pode realmente haver algo que seja "em vão"? Ora, a salvação eterna nos está garantida, pois Jesus consumou a obra da reconciliação para todos os que crêem nEle. Mas em relação ao galardão ou à herança, e à posição que ocuparemos no céu, pode haver coisas que tenham sido "em vão". Paulo quer dizer com isso: se vocês não perseverarem na palavra da vida, se vocês não se preocuparem seriamente com o discipulado, com a maneira com que seguem ao Senhor, se Jesus não for sempre a mais alta prioridade em suas vidas – então todo o meu trabalho, todas as minhas instruções, minhas cartas, minhas exortações e minhas orações terão sido em vão. Para todos os filhos de Deus que não querem levar a sério o discipulado de Jesus haverá um amargo "em vão!"
Como será esse "em vão"? Sabemos que após o arrebatamento teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali tudo virá à luz, e ali a nossa vida será avaliada. Está escrito em 2 Coríntios 5.10: "Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (veja também 1 Co 4.5). A Bíblia nos adverte claramente acerca da possibilidade de ficarmos envergonhados: "Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda" (1 Jo 2.28).
Como será ficar "envergonhados na sua vinda" para aqueles que não seguiram a santificação? Penso que a respeito existe um exemplo muito interessante e admoestador no Antigo Testamento: Deus havia prometido ao Seu povo uma terra que "mana leite e mel", uma terra em que Israel haveria de ter paz e onde Deus sempre estaria com Seu povo. Mas os israelitas daquele tempo deixaram-se influenciar pelos relatos negativos dos dez espias, que falaram mal da Terra Prometida e começaram a murmurar terrivelmente. Então eles não quiseram ocupar a terra, preferindo voltar para a escravidão no Egito – o que, no Novo Testamento, significa voltar para o mundo. Em conseqüência disso apareceu a glória do Senhor. Ele os repreendeu por sua incredulidade. Deus estava a ponto de destruir todo o povo, mas Moisés intercedeu por Israel, orando: "Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça, como tens falado, dizendo: O Senhor é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações. Perdoa, pois, a iniqüidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia e como também tens perdoado a este povo desde a terra do Egito até aqui" (Nm 14.17-19). E o Senhor lhe respondeu: "Tornou-lhe o Senhor: Segundo a tua palavra, eu lhe perdoei. Porém, tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do Senhor, nenhum dos homens que, tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, todavia, me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz, nenhum deles verá a terra que, com juramento, prometi a seus pais, sim, nenhum daqueles que me desprezaram a verá" (vv.20-23). O povo recebeu o perdão e não foi destruído, mas perdeu a recompensa; perdeu tudo aquilo que Deus queria dar-lhe de presente (veja Js 5.6; 14.8-10,14).
Sofrer danos na glória eterna, ficar "envergonhados" diante do tribunal de Cristo, consiste em sermos salvos, mas perdermos a herança (o galardão). É disso que fala 1 Coríntios 3.15: "se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo." A Bíblia Viva diz nessa passagem: "Entretanto, se a casa que ele edificou queimar-se, ele terá um grande prejuízo. Ele mesmo será salvo, mas como um homem fugindo através duma barreira de chamas." Esse também foi o caso de Ló, que foi salvo de Sodoma, cidade madura para o juízo, mas perdeu sua mulher e todos os seus bens (Gn 19.1ss). Por essa razão o Senhor Jesus ressurreto advertiu: "Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa" (Ap 3.11).
Pelo fato desse assunto ser tão sério, vamos exortar-nos e também animar-nos mutuamente com as palavras de Romanos 13.11-14: "E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências."
Para que possamos fazer tudo de maneira correta, precisamos colocar conscientemente a Jesus em primeiro lugar em nossas vidas, dando todo o espaço a Ele. O seguinte episódio ilustra o que quero dizer:
Mudança de lugar
O organista de uma igreja em certa aldeia estava tocando um trecho de uma composição de Mendelssohn. Mas ele tocava muito mal. Um estranho que ia passando pela rua ouviu os acordes, entrou na igreja e esperou o final da música. Então ele pediu ao organista que o deixasse tocar. Este se opôs energicamente: "Além de mim, ninguém toca nesse órgão!" Por várias vezes o estranho teve que pedir e implorar, até que finalmente o organista cedeu. O estranho se assentou diante do órgão, acertou os registros e começou a tocar a mesma música. Mas que diferença! A pequena igreja encheu-se de música celestial. O organista escutava extasiado e perguntou: "Quem é o senhor?" O visitante respondeu: "Eu sou Mendelssohn!’ "O quê?", disse o organista, "e eu não quis deixá-lo tocar o órgão!?"
Jesus salvou a nossa vida de maneira maravilhosa e nos comprou por alto preço. Somos obra Sua. Permitamos que Ele toque os acordes da música de nossa vida! Então Ele tomará nossa existência em Suas mãos e fará dela uma melodia celestial.
Eu gostaria de enfatizar e sublinhar ao máximo esse apelo tão simples! Pois, se você permitir essa mudança de lugar e entregar ao Senhor Jesus Cristo o domínio sobre sua vida através de uma decisão consciente, Ele a transformará maravilhosamente! Então você será algo para louvor da Sua glória e terá a certeza de que não será envergonhado na Sua vinda! (Norbert Lieth - www.chamada.com.br)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CUIDADO COM A IGREJA EMERGENTE

Uma coisa pouco agradável aconteceu quando estávamos a caminho do século XXI. No final do século XX, certos líderes saíram afirmando que precisávamos de “uma maneira nova de fazer igreja”. A religião dos tempos antigos não era boa o suficiente. Então vieram os novos truques, substituindo o Evangelho sólido. Vimos o surgimento do movimento da igreja que é “sensível aos que buscam” e que não ofende a ninguém. A “esquerda religiosa” tornou-se mais proeminente, promovendo seu evangelho social. E depois veio a Igreja Emergente.
Se você perguntar a dez cristãos o que é a Igreja Emergente, provavelmente nove deles ficarão sem ter o que dizer. Não obstante, ela está devorando denominações e igrejas inteiras que antes eram sólidas.
Então, o que é realmente esse fenômeno? Primeiro, ele é místico. Baseia-se em práticas dos antigos “padres do deserto”,* tais como oração contemplativa e meditar caminhando por um labirinto. Inclui também a yoga – tudo para chegar mais perto de Deus. Algumas de suas práticas deixam a pessoa em um estado alterado de consciência. Os emergentes não estão realmente interessados em doutrina; em vez disso, eles querem coisas que se possa sentir, tocar, e cheirar, tais como incenso e ícones.

Esse movimento reinventa o Cristianismo

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem. Na foto, o líder emergente Rob Bell.
Ele tira seus olhos da cruz e faz com que você enfoque a experiência. A Escritura já não é autoridade. Não há absolutos, nem na Bíblia. Os emergentes afirmam que, para levarmos o mundo e a igreja para a frente, devemos voltar atrás na história da igreja e abraçar até mesmo as crenças católicas. A doutrina deles está realmente mais perto do budismo, do hinduísmo e da Nova Era do que do cristianismo tradicional.
O inferno, o pecado e o arrependimento são deixados de lado para que ninguém se ofenda. Além disso, eles afirmam que não há absolutos suficientes para podermos falar sobre inferno, pecado e céu.
Os emergentes dizem que estão tentando proporcionar “significado a esta geração”. O que isso significa? No final do século XX, surgiu um anseio para atingir a geração pós-moderna. Conheça o termo pós-moderno! Ele é usado para descrever a geração de menos de 30 anos. E, conforme os emergentes, para alcançar essas pessoas, as tradições antigas tinham que ser abolidas.
Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem.
Infelizmente, os recursos que eles escolheram para fazer isso estão mais de acordo com a adivinhação do que com qualquer outra coisa.
E, o que dizer sobre a escatologia deles? E sobre Israel? Como o enfoque deles é o evangelho social, eles estariam mais de acordo com a teologia do “Reino Agora”, de “tornar o mundo perfeito”. Eles não entendem literalmente nenhuma parte da escatologia bíblica (doutrina das coisas futuras, profecia) – consideram-na alegórica. Israel seria comparável a uma “república de bananas”. A ênfase está no Reino de Deus agora e não nas admoestações das Escrituras sobre o retorno iminente de Cristo em um julgamento que está por vir.

Agora chegamos a um problema muito importante

Essas pessoas são chamadas de evangélicas. De fato, a revista Time disse que o líder emergente Brian McLaren era um dos 25 evangélicos mais influentes no mundo. Um dos livros de McLaren tem o título de Everything Must Change (Tudo Tem Que Mudar). Aí está, a partir do próprio líder: a igreja deve mudar para a cultura dos tempos modernos. As maneiras antigas devem ser descartadas e novas maneiras estão aí; mas elas não são sensatas nem confiáveis.
Outro líder destacado é Rob Bell. Seus vídeos têm sido vistos em todo tipo de igreja evangélica. Em torno deles os grupos de estudos bíblicos das igrejas se juntam, examinando-os e adotando-o como um cristão fantástico do século XXI com novas idéias. O problema é que uma de suas chocantes afirmações foi: “Essa não é apenas aquela mesma mensagem com novos métodos. Estamos redescobrindo o cristianismo como uma religião oriental”.
Outros líderes proeminentes da Igreja Emergente incluem: Doug Pagitt, Dan Kimbal, Tony Jones, Dallas Willard e Robert Webber. Há outros, mas a lista é longa.
Em poucas palavras, a ação social supera as questões eternas; os sentimentos subjetivos são preferidos à verdade absoluta; a experiência se sobrepõe à razão.
Agora você tem alguns dos pontos básicos à sua frente. Espalhe a notícia de que um movimento relativamente novo está seduzindo milhões e que ele não é sadio, não é bíblico, e é alarmante. Essa Igreja Emergente pode fazer a sua igreja afundar!
Você não pode dizer que não foi avisado! (Jan Markell, Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem... Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei" (Jo 12.23,28).
Por que o Pai celestial fala aqui de uma dupla glorificação do Seu nome através do Filho: "Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei"? Simplesmente porque o Senhor Jesus deveria glorificar a Seu Pai duas vezes, ou seja, primeiramente pela Sua vida, pela Sua vinda a este mundo, e em segundo lugar pela Sua morte na cruz e Sua ressurreição.
Quando nos referimos à hora da glória de Jesus Cristo, falamos:
• Da glória da Sua vida• Da glória do Seu sofrimento• Da glória da Sua ressurreição
A glória da Sua vida
Estamos em abril de 1999 depois de Cristo (não depois de Buda, Maomé, Confúcio, Augusto, César, Napoleão, Gandhi, Marx ou Lenin). Nenhum homem deixou tantos rastros neste mundo como a vida do Senhor Jesus Cristo. Toda a Sua vida e toda a Sua existência tinham apenas um alvo: "Pai, glorifica o teu nome!" E o Pai podia dizer: "Eu o glorifiquei." O objeto desse profundo anseio era a humanidade nesta terra, na verdade, cada pessoa individualmente. O Deus Eterno se preocupa com você de maneira bem pessoal! Nós – você e eu – não somos indiferentes para o Senhor, pois Ele "deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1 Tm 2.4). Por isso Ele enviou Seu amado Filho unigênito (Jo 3.16).
A encarnação do Filho de Deus
O Filho veio a este mundo para trazer a glória de Deus, para torná-la acessível a nós, homens miseráveis, perdidos, carregados de pecados, e para nos introduzir nessa glória. De que glória se trata? O próprio Senhor Jesus Cristo respondeu esta pergunta na oração sacerdotal quando disse: "e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (Jo 17.5). Em Sua própria pessoa Jesus nos trouxe a glória de Deus, glória tão grande que homem nenhum pode suportá-la, glória que Ele já tinha junto ao Pai antes da fundação do mundo. Ele é a glória, pela qual Moisés já suplicou: "Rogo-te que me mostres a tua glória" (Êx 33.18). A esse pedido, Deus teve de responder: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti... Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá... Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá" (Êx 33.19-20 e 22-23). Essa já foi uma visão profética de Jesus Cristo, que viria a esta terra como expressão da bondade e da mão de Deus em pessoa. Mil e quinhentos anos mais tarde, isso se tornou realidade: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14).
Trata-se da mesma glória do Deus Eterno, diante da qual Isaías sucumbiu quando viu numa visão divina apenas as abas das Suas vestes no templo. Nesse momento, esse grande profeta viu toda a sua transitoriedade e a de seu povo. Ele viu a sua impureza e a impureza de seus lábios e disse: "ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!" (Is 6.5). Isaías era um profeta santo, vocacionado por Deus; mas quando viu o Senhor em Sua glória, o medo tomou conta dele.
Alguma vez você já teve medo diante de Deus? Você deveria saber: para qualquer pessoa sem Jesus, "horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10.31), pois Ele é "fogo consumidor" (Hb 12.29). A respeito, um exemplo do Antigo Testamento: quando Davi quis trazer a arca da aliança de Quiriate-Jearim a Jerusalém, aconteceu o seguinte: "Puseram a arca de Deus num carro novo e a levaram da casa de Abinadabe; e Uzá e Aiô guiavam o carro" (1 Cr 13.7). Esse não era o modo de transportá-la que Deus havia ordenado; deveriam ser usados varais para levá-la (comp. Êx 37.1-5). Por isso a bênção do Deus Eterno não podia repousar sobre esse empreendimento. Quando os bois tropeçaram próximos ao destino, a arca quase caiu e Uzá estendeu a mão previdentemente para impedi-lo (1 Cr 13.9), lemos: "Então, a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá e o feriu, por ter estendido a mão à arca; e morreu ali perante Deus" (v.10). Uzá teve de morrer porque a arca só podia ser transportada com varais e não devia ser tocada: "...nas coisas santas, não tocarão, para que não morram" (Nm 4.15). Por causa da morte repentina de Uzá, "Davi se encheu de tristeza" (1 Cr 13.11) e "temeu Davi ao Senhor" (v.12, Ed. Rev. e Corrigida).
Essa santidade e glória foram vistas por Isaías, e sobre elas João escreveu mais tarde: "Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito" (Jo 12.41). Repetimos: Jesus já tinha esta glória antes da fundação do mundo.
Essa glória também encheu o primeiro templo por ocasião da sua dedicação, razão porque os sacerdotes foram incapazes de ministrar ali: "...a Casa do SENHOR, se encheu de uma nuvem; de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR encheu a Casa de Deus" (2 Cr 5.13b e 14). E séculos mais tarde essa glória apareceu no Filho de Deus feito homem. Quem somos nós, homens? Perdidos, traídos e vendidos, entregues ao pecado, desesperados e sem esperança. Jamais poderíamos ter suportado a glória de Deus – se Ele próprio não interviesse. Mas Ele o fez! Pois, na plenitude do tempo Ele enviou o Seu Filho a fim de que tivéssemos acesso a essa glória inacessível. Sobre Sua encarnação humana está escrito: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória ("shekiná") como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Assim Deus Se tornou homem em Jesus. Ele veio até nós, porque não podíamos ir até Ele.
Jesus Cristo é a "shekiná" (nuvem da glória de Deus) do Antigo Testamento, pela qual Moisés anelava tão ardentemente. Então essa glória, diante da qual ninguém podia subsistir, trouxe até nós a glória de Deus quando Jesus se tornou perfeitamente homem: "antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana" (Fp 2.7).
Em algum momento de silêncio você já parou para pensar no que Deus fez por você em Jesus Cristo? Caso afirmativo, você não pode mais duvidar do Seu amor!
O Pai glorifica o Seu nome pela maneira de viver do Seu Filho
Em toda a Sua vida terrena Jesus trouxe a "doxa" (grego) do Pai, isto é, a glória de tudo aquilo que o Pai é e tem. Pela Sua obediência perfeita Ele fez tudo o que o Pai queria. Ele trouxe a nós todo o bem da parte de Deus: Seu amor, Seu desejo de salvar, Sua misericórdia.
A Bíblia Viva diz em Lucas 1.76-79: "E você, meu filhinho, será chamado profeta do glorioso Deus, porque preparará o caminho para o Messias. Você dirá ao seu povo como encontrar a salvação por meio do perdão dos pecados que praticam. Tudo isso será porque a misericórdia do nosso Deus é muito bondosa e a aurora celestial logo vai raiar sobre nós, para dar luz àqueles que se acham na escuridão e na sombra da morte, e para guiar-nos pelo caminho da paz." A misericórdia de Deus para conosco é assim como uma mãe lida com seu bebê recém-nascido, com atenção e ternura e cheia de cuidados ao tratar dele. É possível expressar de maneira mais bela e impressionante o que Deus quer e o que Ele fez em Jesus? De fato foi isso que aconteceu: Jesus viveu e agiu dentro daquilo que o Pai esperava dEle. Ele nos trouxe a glória da bondade e da misericórdia de Deus.
Jesus foi totalmente diferente do que freqüentemente nos é apresentado pela religiosidade e com maneirismos piedosos. Um dia Ele saiu da cidade de Jericó. Dois cegos à beira do caminho ouviram que Jesus passava por ali e clamaram em alta voz: " Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós! ...Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!" (Mt 20.30b-31). Então Jesus os chamou. Depois que Lhe pediram que lhes abrisse os olhos, lemos em Mateus 20.34: "Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo." "Jesus encheu-se de misericórdia por eles e tocou seus olhos. Imediatamente eles puderam enxergar, e seguiam a Jesus" (A Bíblia Viva).
Jesus também glorificou o Pai ao recusar qualquer glória terrena. Depois de ter estado durante 40 dias no deserto, Ele foi tentado pelo diabo. Este o levou a um alto monte e num momento lhe mostrou todos os reinos do mundo e disse-Lhe: "Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua" (Lc 4.6-7). Um dia o anticristo aceitará esta oferta diabólica. Mas Jesus respondeu a Satanás: "Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto" (v.8). Jesus seguiu o caminho traçado pelo Pai de uma maneira perfeita, o caminho da obediência, o caminho para glorificar a Deus, o caminho para nos salvar. Ele não permitiu que qualquer coisa O detivesse ou ofuscasse Seu objetivo.
A maioria de nós é bem diferente. Freqüentemente ainda procuramos a glória deste mundo e nos deixamos enganar, prender ou influenciar por aquilo que o mundo tem a nos oferecer. Quanto ainda podemos estar fascinados pelos catálogos da glória deste mundo! Automóveis novos com sua tecnologia moderna nos entusiasmam. Somos capazes de conversar horas e horas a respeito. E quanto às férias: muitos de nós não vivem o ano inteiro pensando na época das férias? Também os cristãos não estão livres da cobiça, da ganância e do amor ao dinheiro. Alguém disse: "O abuso de algo em si inofensivo é a índole do pecado". E A.T. Pierson escreveu em um de seus livros:
Nos lares cristãos de todo o mundo há tantas jóias de ouro e prata e adornos inúteis que se poderia, com esse valor, construir uma frota de navios, enchê-los com Bíblias e missionários, construir uma igreja em cada rincão remoto e, dentro de alguns anos, confrontar cada alma com o evangelho".
Sobre as pessoas que correm atrás de riquezas e dinheiro está escrito: "Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a formosura do seu aspecto; assim também se murchará o rico em seus caminhos" (Tg 1.11). Todo desejo de ser reconhecido, famoso e glorioso neste mundo é um engano do diabo. Por isso a Bíblia adverte com grande seriedade: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência..." (1 Jo 2.15 e 17a).
Também nesse sentido Jesus foi nosso grande exemplo. Quanto Ele amou Seu Pai! Em tudo Jesus revelou o Pai e assim também a Sua glória. Foi o que aconteceu no povoado de Caná, onde Jesus foi convidado para um casamento. Quando surgiu um problema constrangedor e se falou com Jesus sobre o assunto, Ele disse: "Ainda não é chegada a minha hora" (Jo 2.4). Mas ao chegar a hora da parte do Pai, está escrito: "...manifestou a sua glória" (v.11). – Encostadas em um canto estavam as jarras de água vazias, imóveis, frias e despercebidas. As pessoas festejavam, comiam, bebiam, riam e cantavam ao seu lado, sem lhes dar a menor atenção. Numa festividade dessas, quem se interessaria por essas jarras de água comuns? – o centro da festa era bem outro. Somente uma pessoa não deixou de observá-las em meio aos festejos e ao burburinho. Os olhos de Jesus pousaram sobre elas, Ele as viu. E justamente por meio destas jarras insignificantes e vazias Ele quis glorificar-Se. A festa continuava despreocupada e alegre. Mas repentinamente tudo ficou ameaçado e se encaminhava para um fim desastroso. Não havia mais vinho! Justamente nessa situação sem saída Jesus fez o Seu primeiro milagre. Das jarras de água colocadas de lado Ele fez recipientes do melhor vinho, transformando em vinho a água que se havia despejado nelas: "manifestou a sua glória."
Essas jarras de água vazias simbolizam nossa vida. Ela pode ser tão fria, dura, vazia e terrivelmente deixada de lado. A vida também pode passar por nós com suas festas e danças, deixando-nos de lado. E antes de nos darmos conta, ela está no fim. Mas Jesus vê cada pessoa individualmente. Ele gostaria que você se tornasse recipiente da Sua glória. Ele gostaria tanto de trazer Sua glória para dentro da sua vida, pois em você também deve acontecer uma mudança para melhor. Talvez esta seja a hora mais decisiva da sua vida – a hora da Sua glória para você!
Em tudo Jesus viveu para a glória de Seu Pai e para que as pessoas tivessem acesso a ela. Quando Sua vida estava chegando ao fim, o Pai confirmou o que Seu Filho havia feito: "Eu já o glorifiquei (meu nome)..." Mas como o nome do Pai devia receber glória ainda maior, Ele continuou dizendo: "...e ainda o glorificarei" (Jo 12.28). E no fim de nossa vida, o que se dirá?
A glória do Seu sofrimento
Jesus tinha um grande desejo no coração, que era o de consumar a obra do Pai para a salvação da humanidade na cruz. Em João 12 ouvimo-Lo dizer: "É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem... Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso" (Jo 12.23 e 27-31).
No relato dos sofrimentos de Jesus lemos o quanto o Senhor da glória foi maltratado por ocasião do Seu julgamento: "Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!" (Mt 26.67-68). As mãos dos homens que Ele criara O esbofeteavam. Sem Ele, na verdade, ninguém pode levantar a mão, pois: "Na sua mão está a alma de todo ser vivente..." (Jó 12.10). Mas o Filho de Deus deixou-Se pregar na cruz pelas mãos dos soldados romanos – por nossa causa. Tirou-se o chão firme debaixo dos Seus pés e levantou-se a cruz. Ali estava Ele dependurado entre o céu e a terra. Jesus realmente não tinha mais nada, e com Ele acontecia exatamente o que fora profetizado centenas de anos antes: "Depois das sessenta e duas semanas (semanas de anos), será morto o Ungido e já não estará..." (Dn 9.26). Na cruz Jesus não podia estender os Seus braços para cima, mas Ele abraçou o mundo inteiro. Ele foi tão abandonado que exclamou: "Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mc 15.34). Ali clamava o Filho de Deus, o Criador. Ali clamava Aquele sem o qual ninguém pode viver, sem o qual ninguém pode existir. Dele está escrito: "Se Deus pensasse apenas em si mesmo e para si recolhesse o seu espírito e o seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó" (Jó 34.14-15).
Mas Jesus Cristo foi movido por Seu amor ao Pai e por nós homens. Por isso o Senhor da glória permitiu voluntariamente que tudo isso acontecesse com Ele e se deixou crucificar. Justamente nisso consistiu o Seu triunfo, de expulsar o diabo do mundo e de atrair as pessoas para Si e glorificar o Pai ao ser levantado na cruz. Se quisermos o Senhor da glória, temos de ir a esta cruz. Aquele que não tem Jesus Cristo, perde tudo!
A glória da Sua ressurreição
Na infinita profundeza do caminho de Sua vida, de Seu sofrimento e de Sua morte na cruz está a imensurável grandeza da Sua glória. Em Filipenses 2.8-9 está escrito: "a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome." A morte não conseguiu deter Jesus Cristo. Ele venceu a morte. Chegou a manhã da Páscoa!
A Sua ressurreição é o triunfo da Sua glória. Ele disse aos discípulos de Emaús: "Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?" (Lc 24.26). A sua ressurreição é a hora da Sua glória. Que triunfo, que fruto!
A ressurreição de Jesus Cristo é a resposta de Deus a qualquer insurreição, qualquer julgamento, qualquer demonstração de poder ou qualquer escárnio dos homens. Mas ela também é o consolo para todos os que crêem nEle!
O triunfo da ressurreição e da ascensão de Jesus Cristo conflui para a hora da Sua volta. No Monte da Transfiguração, quando Moisés e Elias falavam com Jesus sobre a Sua partida em Jerusalém, os discípulos tiveram uma visão profética antecipada da Sua glória e da Sua volta. Referindo-se a ela, Pedro escreveu: "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo" (2 Pe 1.16-18). De acordo com Tito 2.13, a Igreja aguarda a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.
O triunfo da ressurreição e da glória de Jesus consiste em que Sua Igreja já é incluída em espírito na Sua glória e participa da Sua glória. Pois Deus "...juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Ef 2.6). E em Filipenses 3.20-21 está escrito: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." O maravilhoso disso é: a grande cidade, a Jerusalém celestial, o lar dos salvos, "não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21.23).
O triunfo da ressurreição e da glória de Jesus Cristo também consiste em glorificarmos Seu nome por meio do nosso procedimento aqui sobre a terra. Mas devemos nos perguntar: estamos realmente em condições de fazê-lo, se nem temos anseio por fazer a Sua vontade; se não vivemos para a Sua glória, porque não renunciamos às "glórias" deste mundo? Quem de nós ainda tem a ousadia de orar como Jim Elliot? Ele escreveu em seu diário:
Pai, faz-me fraco para que eu perca a força de agarrar-me às coisas deste mundo: minha vida, minha reputação, minha propriedade – Senhor, toma de mim a tendência da minha mão de agarrá-las e segurá-las. Ah, Pai, que de mim se apague o simples desejo de acariciá-las.
João Batista também tinha essa índole. Ele disse em relação ao Senhor Jesus: "Convém que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.30). A Bíblia Viva diz: "Ele deve tornar-Se cada vez maior, e eu devo diminuir cada vez mais."
Será que temos condições de glorificar o Seu nome pelo nosso proceder aqui na terra, se não estamos dispostos a seguir o caminho da morte e a considerar-nos crucificados com Ele? Certamente não! Pois se continuamos presos ao pecado e não vivemos segundo os desígnios de Deus, então vivemos longe de Sua glória. Jesus disse: "Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto (amor) ...eu vos escolhi a vós outros e vos designei (propósito) para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça" (Jo 15.8,16). O ato de ir é o fruto. Pois o importante é obedecer-Lhe e, antes de mais nada, largar tudo o que nos impede de ir.
Se você não buscar a Jesus como a sua porção mais gloriosa, você nunca encontrará a Sua glória. Mas aquele que, como outrora Moisés, implorar com todo o anseio do seu coração: "Rogo-te que me mostres a tua glória!", este também experimentará Sua maravilhosa promessa: "Farei passar (em meu Filho Jesus) toda a minha bondade diante de ti!" Ou para dizê-lo com Romanos 8.32: "Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" (Norbert Lieth)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um novo ano, e ninguém sabe para onde ir!

Um novo ano, e ninguém sabe para onde ir!

Para cada um de nós, o ano novo traz uma pergunta implícita: O que está por vir? O que terei de enfrentar? Como será minha vida neste novo ano? Através da história de Abraão, Deus nos dá mostras de que podemos confiar nEle.
Lemos no chamado capítulo dos heróis da fé: “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb 11.8). O homem de hoje está concentrado em ter garantias e em ter um plano bem organizado. Ele quer saber por qual caminho seguir e se pergunta no que pode confiar. Resumindo: ele quer considerar todas as eventualidades para poder calcular de forma exata e com antecedência quais atitudes deve tomar. Dificilmente alguém estará disposto a ir para algum lugar ou a assumir alguma tarefa sem conhecer os detalhes, sem determinadas premissas e garantias. A história da vida de Abraão também toca a nossa vida. No começo havia incerteza, mas no fim ele se transformou em exemplo e até no pai de todos aqueles que crêem (Rm 4.11). O motivo foi a sua confiança inabalável no Deus vivo e em Suas promessas. A maior segurança em meio a todas as inseguranças deste mundo é crer na Bíblia.
A maior segurança em meio a todas as inseguranças deste mundo é crer na Bíblia.
Abraão não podia fazer nada além de acreditar naquilo que Deus lhe dizia. Essa atitude de fé é o mais importante que uma pessoa pode ter. A vida de Abraão foi marcante porque ele obedeceu pela fé e atendeu ao chamado divino. Sua fé foi colocada em prática. Fé e ação andam juntas como o violino e o arco, ou como a chave e a fechadura de uma porta. Se falta uma parte, a outra é inútil, pois não há como tocar uma bela melodia, não há como abrir ou fechar a porta. Abraão tinha “somente” a palavra de Deus. O Senhor chamou-o a sair de seu país, a deixar seus relacionamentos e abandonar tudo o que tinha conseguido até então – sem saber para onde iria. Mas, olhando para o restante da história de sua vida, reconhecemos o maravilhoso objetivo que Deus alcançou com Abraão.
Entramos em um novo ano sem saber para onde ele nos levará. Talvez o Senhor Jesus tenha colocado em seu coração um certo fardo, um desejo de fazer alguma coisa em Seu Nome, e talvez você tenha de dar um passo ousado. Também pode ser que você tenha sido chamado por Deus para executar uma tarefa mas não sabe como continuar nem para onde isso o levará. Abraão simplesmente se pôs a caminho, impelido pelo poder da Palavra de Deus.
No começo deste novo ano é muito importante ter isto diante de nossos olhos: precisamos nos pôr a caminho, juntar forças a cada momento e orientar-nos para o alvo. E nosso alvo são as coisas de Deus. É perfeitamente possível que durante o trajeto sejamos assaltados pelo medo, pois a dor, a tristeza, as preocupações e outros sofrimentos podem surgir em nossa vida. Pode ser que às vezes fiquemos resignados no caminho. Mas isto não deve impedir-nos de continuar marchando em direção ao desconhecido, ao futuro – confiando nas firmes promessas de Deus. É exatamente nessa área da nossa vida que a nossa fé no Senhor precisa de um novo impulso.
Pode ser que às vezes fiquemos resignados no caminho. Mas isto não deve impedir-nos de continuar marchando em direção ao desconhecido, ao futuro – confiando nas firmes promessas de Deus.
Depois de listar os heróis da fé (Hebreus 11), a Bíblia nos diz como alcançar o alvo: “...olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma” (Hb 12.2-3).
Depois que Abraão chegou à Terra Prometida, ele teve de suportar muitos testes de sua fé. Enfrentou a tentação de confiar mais em sua própria carne do que no Senhor que havia lhe dado a promessa. Em algumas situações de crise, tomou as rédeas em suas próprias mãos e foi derrotado. Mas o Senhor, em quem Abraão tinha depositado sua confiança, não o deixou cair. No fim, triunfaram a fé de Abraão em Deus e a fidelidade de Deus para com Seu amigo. O autor da carta aos Hebreus descreve a fé de Abraão com as seguintes palavras: “Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” (Hb 11.9).
Nós também podemos, neste ano recém-iniciado, manter a fé nas promessas de Deus, mesmo quando os outros não nos compreendem e mesmo quando nos vêem como “estrangeiros” em seu meio. A fé em Jesus Cristo, em quem todas as promessas têm o “Sim” de Deus e por quem é o “Amém” (2 Co 1.20), nos ajudará a superar tudo o que é passageiro nesta terra até chegarmos ao grande alvo final. O caminho da nossa existência vai da tenda passageira da vida terrena para junto do Deus eterno.
O objetivo de vida de Abraão era o mais elevado que uma pessoa pode almejar. Ele não somente sonhava com uma cidade melhor, mas a aguardava com expectativa viva e cheia de esperança: “...porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11.10). Abraão morreu e não conheceu esse lugar durante sua vida na terra, mas ainda assim ele esperava pela cidade eterna de Deus.
A fé em Jesus Cristo, em quem todas as promessas têm o “Sim” de Deus e por quem é o “Amém” (2 Co 1.20), nos ajudará a superar tudo o que é passageiro nesta terra até chegarmos ao grande alvo final.
Não sabemos quando Jesus voltará; portanto, seria tolo tentar fazer algum cálculo. Mas uma coisa é certa: também neste ano podemos esperar pela volta de Jesus e pela Jerusalém eterna. Quer o Senhor volte neste ano ou não, quer vejamos o Arrebatamento ou tenhamos de morrer antes – o objetivo e a esperança é a vida eterna com o Senhor, que nos comprou por Seu precioso sangue e que voltará para a Sua Igreja. Um dia isto acontecerá: os mortos em Cristo e aqueles que ainda estiverem vivos serão arrebatados para a presença do Senhor (1 Ts 4.15-17) e terão sua morada na Jerusalém celestial (Ap 21.9-10).
Abraão acreditava nessa cidade. E quando foi convocado a sacrificar seu único filho, Isaque, a respeito de quem o Senhor tinha feito tantas promessas, ele “considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos” (Hb 11.19).
Sejamos cristãos que esperam pelo seu Senhor, neste novo ano mais do que nunca! Então valerá também para nós a maravilhosa promessa: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap 3.10).
Neste sentido, desejamos a todos os nossos leitores um ano novo ricamente abençoado pelo Senhor. Maranata! (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)